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Enviado por tupi@drupal.org em 25/11/2002 - 09:16 |
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/11/24/ger014.html Trechos de matéria e entrevista realizada por: MARIANA BARBOSA e FLAVIO GUT
Hazel Henderson, ambientalista e economista americana, é autora do livro Além da Globalização. Ela defende a adoção de modelos de desenvolvimento baseados no estímulo às pequenas empresas. Prega o escambo de mercadorias para libertar os países da dependência por dólares. De passagem pelo Brasil na semana passada, quando concedeu entrevista ao Estado, Hazel falou de seu entusiasmo com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. "O Brasil pode se transformar em meca de idéias avançadas de desenvolvimento sustentável e solidário."
Estado - Esta semana, Lula falou sobre a adoção de uma "moeda verde" no comércio com a Argentina, para promover a troca direta de mercadorias. Esse é o tipo de políticas que a senhora defende? Hazel - Esta é a grande mudança de paradigma dos novos tempos. Há dez anos escrevi um artigo sobre isso, chamado A nova moeda mundial não é escassa. Temos de acabar com essa idéia de que quem não tem dinheiro é pobre. As pessoas são incrivelmente criativas. Na Argentina 6 milhões de pessoas fazem escambo - entre vizinhos diretamente, ou pela internet. É a melhor coisa que podem fazer diante da situação pela qual o país passa. É possível fazer muita coisa para driblar o velho sistema. Enrique Iglesias (presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento) é um entusiasta dessas idéias e pode ser um grande aliado de Lula se o Brasil quiser mesmo adotar esse tipo de medida. Estado - Há muita gente fazendo escambo pelo mundo? Hazel - O site de leilão e-bay é o protótipo desse modelo na internet. As empresas transnacionais também fazem escambo. Por ano, elas comercializam o equivalente a US$ 1 trilhão internamente, trocando passagem, hospedagem, espaço em escritório. A General Electric fez um acordo com a China anos atrás em que trocou geradores por um milhão de galinhas. Os EUA ficaram danados com Chavez por uma coisa que eu sempre defendi, que os produtores de petróleo troquem petróleo por commodities. Chavez fez 13 acordos de escambo, inclusive com Iraque e Cuba. Com Fidel Castro, ele trocou petróleo por médicos cubanos que montaram clínicas de saúde na Venezuela. É brilhante. Claro que o presidente George W. Bush ficou enlouquecido e a mídia americana interpretou a atitude como pregação marxista ou como uma volta ao capitalismo primitivo. Mas com a falta de moeda forte nos países em desenvolvimento, o escambo é uma alternativa muito eficiente. E com as tecnologias existentes, é possível criar plataformas bastante robustas de escambo eletrônico. Estado - E se, com isso (não seguir imposições contratuais), o FMI não conceder o empréstimo? Hazel - Tudo bem. A questão é que há espaço hoje para uma postura diferente. Para isso é preciso que haja uma comunicação eficiente para mostrar que o empréstimo não trará benefícios. É preciso avisar com antecedência que você está embarcando em uma estratégia totalmente nova, que não passa pelo aumento do endividamento e sim pelo fortalecimento do mercado acionário. Não é fácil agir contra um sistema que está morrendo, mas que ainda é muito poderoso. O que se tem a fazer é fortalecer o mercado doméstico, estimular as pequenas empresas - e não pensar em atrair multinacionais. As pequenas empresas devem ser o motor do desenvolvimento.
Matéria e entrevista completa em: http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2002/11/24/ger014.html |
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